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Um olhar para a Esquizofrenia

Artigo do psiquiatra Alan Bussolo

Publicado 23/11/2017 12:02

A perda do contato com a realidade, demonstrada pelas alterações da estrutura dos pensamentos, vozes e vultos, comportamento desorganizado em relação as expectativas sociais, e um grave prejuízo na execução de suas atividades. Amedrontado, um ser se esconde; suas vivências internas agora se espalham para o ambiente, é possível escutar os próprios pensamentos, estar sozinho e parecer o tempo todo acompanhado.

Alemanha, 1899, o psiquiatra Alemão Emil Kraepelin ao se deparar com jovens que após um surto psicótico apresentavam mudanças profundas em sua personalidade e funcionamento social, chamou este grupo de doenças de “Dementia praecox”. O conceito evoluiu ao longo dos anos, e hoje doenças que em comum apresentam uma incapacidade em separar as vivências internas daquilo que é o mundo externo, são chamadas de psicoses. Muitos sinônimos são utilizados popularmente para descrever os diferentes, entre eles os loucos.

A psiquiatria não inventou a insanidade, a sociedade sim. Quando não existia conhecimento, só restava a reclusão destas pessoas nos ditos manicômios. E ali, nesse lugar onde se amontoavam muitas mil pessoas, um grupo de médicos passou a exercer com arte a psiquiatria. O desenvolvimento dos medicamentos antipsicóticos possibilitou abertura dos grandes hospitais. De volta ao convívio social muitos sofrem pelo preconceito, a intolerância segrega os diferentes. A muito foram esquecidos os doentes mentais no Brasil, inúmeras políticas públicas frustras e mentirosas sucatearam muito do pouco que ainda restava.

A Esquizofrenia, é o principal diagnóstico dentre as doenças psicóticas, é o mais aniquilador dos transtornos mentais. São mais de 2 milhões brasileiros, que a partir de um dado momento em sua juventude passam por um surto, durante o qual apresentam ideias delirantes, escutam vozes e têm comportamentos estranhos. Durante a crise, ficam evidentes as dificuldades em cumprir obrigações, conviver socialmente, e de cuidar da higiene pessoal.

Não existe um fator único para explicar, a maioria não tem parentes com a doença, e ainda jovens, durante o enfrentamento de adversidades desta fase do ciclo da vida, passam a apresentar os sintomas. Buscam as emergências dos hospitais; geralmente são atendidos no primeiro mês após o início dos sintomas, trazidos por familiares, posteriormente encaminhados para o cuidado psiquiátrico.

Aqueles que chegam ao médico, geralmente na crise, não tem uma crítica em relação a sua condição. O contexto social onde estão inseridos sofre grave estresse, o que demanda muitas vezes um cuidado compartilhado entre muitos profissionais, de diferentes mais complementares saberes, e a família. Muitos melhoram, graças a associação entre um tratamento medicamentoso, acolhimento por parte da família e da equipe. Infelizmente, associada a todas as manifestações psíquicas, está um risco de suicídio e doenças cardiovasculares aumentado, e uma aceleração do processo de envelhecimento cerebral.

Quando a doença é identificada precocemente, preferencialmente no primeiro surto, e o tratamento com antipsicóticos é efetivo para manter o paciente sem crise, uma grande janela de oportunidade se instala. As doenças psicóticas, como muitas outras desordens, são tóxicas para o organismo. Quanto maior a tempo de exposição a um surto, e quanto mais frequente ele acontecer, pior é o prognóstico, ou seja, maiores são os prejuízos crônicos gerados.

Os mais graves, geralmente não tratados por anos, sofrem com o preconceito da sociedade, geralmente vivem as margens dela; no extremo se tornam mendigos, vagando e usando drogas, escondidos em seu próprio mundo. Outros, prejudicados pelas repetidas crises tem sua personalidade alterada, dificuldades de socialização, prejuízos na capacidade de trabalho e necessitam de aposentadoria.

Aqueles que recebem o devido acompanhamento, e que aceitam com mais tranquilidade o fato de precisar utilizar uma medicação para sempre tem seu processo de desenvolvimento relativamente mantido. Além do uso dos medicamentos é fundamental a adoção de um jeito de viver compatível com suas inúmeras capacidades e também limitações.

Uma imensa reflexão precisa ser realizada no sentido de estabelecer de que forma podemos cuidar melhor, quais os instrumentos são necessários, em que locais do SUS (Sistema Único de Saúde) isso deve acontecer, e a viabilidade financeira dessas ações. Não queremos manicômios, e sim respeito e dignidade aos nossos pacientes, é nesse sentido que vejo as ações de nossas instituições e dos colegas que como eu, se empenham nesta nobre atividade. 

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