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Artigo sobre Luto - Publicado no Diário Catarinense

Por Letícia Furlanetto

Publicado 11/04/2018 16:20

O luto é uma reação normal à perda de um ente querido ou de algo que ocupou seu lugar. De acordo com a cultura, religião, situação da perda e a relação prévia com o ente o luto é vivenciado de maneira diversa. Consideram-se adequados desde o choro e roupas pretas, até fazer reuniões alegres com “comes e bebes” no funeral.

Qual o período de tempo esperado para o luto na nossa cultura?

Não existe um tempo exato. Contudo, sabemos que no início a pessoa perde o interesse pelo mundo externo, voltando toda a energia para dentro de si, afastando-se de qualquer atividade, revivendo as lembranças do ente perdido. É esperado que a medida que a realidade for evidenciando esta ausência, o indivíduo vá aceitando-a. O primeiro ano é o mais difícil, pois a cada aniversário a realidade mostra a perda, causando piora.

E porque algumas pessoas parecem não sair mais do luto?

Diversos fatores influem:  às vezes, se havia conflitos não resolvidos com o ente ou se a causa da morte foi dramática e inesperada, algumas pessoas não conseguem elaborar. Ficam com um uma sensação de ataque pessoal, raiva, fugindo de entrar em contato. Gastam toda a sua energia para manter vivo dentro de si o ente querido. Além disso, pesquisas mostram que pessoas com o luto prolongado têm ativação da área do prazer ao relembrar o morto, o que pode funcionar como uma “droga viciante”.

Tanto o luto precipita a depressão em indivíduos predispostos, como quem já a teve, ao sofrer perdas, pode ter um luto que não se resolve. A pessoa não consegue imaginar nenhum prazer, sentindo-se mal consigo mesma na maior parte do tempo, podendo chegar até a ter ideação suicida com risco de vida.

No caso de um luto complicado, que não tende à melhora, e, de suspeita de depressão, a avaliação por um psiquiatra é importante, pois pode haver indicação de psicoterapia e medicação.

Contudo, na maior parte dos casos, entrar em contato com a dor e o sofrimento que são inevitáveis e ter gratidão pelos momentos vividos em conjunto ajudam a “dar um significado” e a “deixar ir” o ente perdido, tornando a vida de quem fica ainda mais rica.

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