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Artigo publicado no Diário Catarinense - Dependência Química e Prevenção ao Suicídio

Escrito pelo psiquiatra Vinícius Brum Prá

Publicado 15/10/2018 15:09

O uso de entorpecentes está presente na história da humanidade há dezenas de séculos, seja em uso ritualístico, recreativo ou em padrão de abuso e dependência. Desde as mais rudimentares bebidas fermentadas até as mais modernas drogas sintéticas os impactos no comportamento são notáveis e dignos de preocupação.

Convivemos frequentemente com pessoas que exageram no uso de álcool, por exemplo, e se expõe a situações embaraçosas em eventos sociais ou perigosas no trânsito. O que fazer por essas pessoas? Há de certa forma, aceitação social do consumo de álcool e mesmo incentivo publicitário para tanto o que pode acabar por afastar a busca de tratamento quando a situação começa a sair das raias do razoável.

Famílias sofrem, colegas de trabalho ou estudo preocupam-se e o sujeito que vem progressivamente alimentando a dependência química isola-se e comumente nega o problema.

Há um gradual estreitamento do repertório social, ou seja, todas as atividades passam a ser pautadas pelo uso da substância de abuso e demais aspectos essenciais da vida ficam relegados a segundo ou terceiro plano.

Combater o isolamento de quem sofre com uma doença mental é um dos grandes pilares da campanha do Setembro Amarelo que visa a prevenir o suicídio, condição mórbida que vitima mais de dez mil pessoas a cada ano no Brasil. A principal causa são as doenças mentais não tratadas e aqui a dependência química tem especial importância correspondendo a mais de 20% das mortes e aumentando o risco de suicídio em pelo menos 50%.

O desenvolvimento da dependência química é o resultado da combinação de diversos fatores ao longo de um período muitas vezes longo. Identificar esses fatores e dar-lhes o devido tratamento envolve várias modalidades terapêuticas que vão desde os grupos anônimos de ajuda-mútua a tratamentos em regime de internação. De qualquer forma, além de avaliação e acompanhamento profissional é fundamental que familiares e amigos estejam atentos e solidários a percorrer juntos os caminhos da recuperação.

 

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