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ACP lança campanha de valorização da vida

A Associação Catarinense de Psiquiatria faz um alerta para que fotos ou vídeos de pessoas que morrem por suicídio não sejam compartilhados nas redes sociais.

Publicado 05/06/2018 11:28

Precisamos falar mais sobre suicídio e que as doenças mentais tem tratamento. Dados do Ministério da Saúde mostram que o número de suicídio cresceu nos anos de 2011 e 2015 no Brasil e esta é a quarta maior causa de morte entre jovens de 19 a 25 anos.

Os homens são os que apresentam as maiores taxas de mortalidade, 79% do total, enquanto as mulheres em torno de 21%. Pessoas com estado civil viúvo, solteiro e divorciado também foram os que mais morreram por suicídio (60,4%).

Os dados mostram que os indígenas cometem mais suicídio (15,2), se comparados com brancos (5,9) e negros (4,7). A região Sul do Brasil é a que possui a maior taxa de morte por suicídio.

Já em relação às tentativas de suicídio, as mulheres são maioria (69%) e 31,1% tentam mais de uma vez. Entre 2011 e 2016 ocorreram 48.204 tentativas.

Estudos indicam ainda que cada caso de suicídio tem sério impacto na vida de pelo menos outras seis pessoas de forma direta. Esse é um assunto delicado de abordar, por isso, vamos ressaltar a prevenção!

Para prevenirmos, precisamos que quem receba vídeos ou fotos em suas redes sociais e grupos de conversa online (WhatsApp, Snapchat, Messenger) de pessoas que morreram por suicídio, não compartilhem esses materiais e os apaguem para que não se espalhem. Essa é uma recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde). Segundo a Organização, não se deve publicar fotografias ou vídeos de pessoas que morreram por suicídio e nem informar detalhes específicos do método utilizado.

Você sabe por que essa orientação? Chamamos de efeito Werther, um vídeo ou imagem pode servir como gatilho por uma pessoa que esteja suscetível a um transtorno psíquico.

Além de não compartilhar informações desse tipo, é importante:

- Não fornecer explicações simplistas

- Não glorificar o suicídio ou fazer sensacionalismo sobre o caso;

- Não usar estereótipos religiosos ou culturais;

- E por último, não atribuir culpas.

Para a presidente da ACP, a psiquiatra Lilian Lucas afirma que os transtornos mentais são um tabu ainda para muitas pessoas, mas necessitam ser desmistificados para que haja mais acesso aos tratamentos. “Para cada suicídio, há muito mais pessoas que tentam a cada ano. Trata-se de um grave problema de saúde pública; no entanto, os suicídios podem sim ser evitados e para isso, precisamos falar mais sobre o assunto”.

Segundo a coordenadora do Setembro Amarelo de Santa Catarina, a psiquiatra Vanessa Leal, “A mídia pode sim abordar o suicídio desde que tenha responsabilidade, se for abordado de forma correta pode ajudar bastante na prevenção. A pessoa não pode ser reduzida a apenas um ato, como também não se deve revelar o método e o local”.

 

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